sábado, 24 de dezembro de 2011

Merry Christmas





Ora muito bem.. A data aproxima-se e, para não fugir à regra ou às vicissitudes de quem tenta ser normal e viver em sociedade, cá estou para vos desejar um Feliz Natal (enquanto ainda se festeja dia 25) junto de quem vos ama e precisa de vocês.


Deixo-vos ainda a pensar.. Se o Natal é um feriado católico e mais de metade da população portuguesa já não o é, porque razão esta é a maior festa do ano que (quase) toda a gente festeja? Deixo uma pista, polémica por natureza, capitalismo...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Televisão: instrumento de informação ou de estupidificação?

                                    Fonte:infinitoaldoluiz.blogspot.com

Estava eu calmamente a almoçar num shopping quando me deparo com a seguinte situação, que mais uma vez me deixou a pensar...
Talvez pela mente sociológica já formatada, talvez pelos conceitos que já me são intrínsecos; na verdade dei por mim a avaliar a ocupação dos espaços pelos agentes sociais, vulgarmente designados por pessoas. Avistei uma televisão e de facto a zona envolvente encontrava-se mais preenchida. Ao que vem a questão... Que tipo de programas e em que canal está sintonizada a televisão?

Resposta mais do que óbvia. Canal desportivo, neste caso sportv. Passava um jogo de basquetebol do campeonato nacional e em volta, a população que acompanhava era 100% masculina. Ora, isto dá-nos o ponto de partida para falar de diversos temas: desigualdade de género, pensamento de massas, coerção social, entre outros. Mas hoje remeto-me ao objecto televisão em si.

Antes de mais, quero afastar do meu espectro de análise aqueles programas cujo objectivo é obter o "share" ou as audiências. Sim, esses são nitidamente instrumentos de estupidificação, mas seria demasiado fácil falar deles e não é esse campo da estupidez que tenciono analisar.
O meu objectivo é falar da televisão (e respectiva programação) no seu todo, no sentido em que deixa as pessoas agarradas ao seu conteúdo e que bebem todas as palavras ditas por profissionais (não) qualificados. Numa primeira fase, vamos pensar a televisão como objecto de informação; de ligação com o mundo como dizem alguns, a caixinha mágica que nos tirou de um colete de forças e nos libertou, dizem outros. Eu tentarei não ser partidário e enumerar as virtualidades desta como ferrramenta de informação.
Imaginemos então a nossa vida quotidiana sem televisão. Tudo bem que os computadores já fazem esse efeito, mas coloquemos essa hipótese de lado. A televisão encontra-se localizada nas diversas zonas da casa, é de facil acesso, um bem de consumo acessível a (quase) toda a comunidade. Permite-nos entrar em contacto com realidades desconhecidas, desenvolvemos o conhecimento, encontramos o que procuramos pois existe programação para todos os gostos e dessa forma a televisão torna-se nossa aliada, quem sabe nossa amiga. Por muito críticos que sejamos, digam lá se não é optimo acordar de manha, tomar o pequeno-almoço enquanto se vêem as primeiras noticias, saber até como está o trânsito nos nossos locais de passagem no trajecto casa-trabalho, porventura ser uma companhia durante as principais refeições diárias ou até durante a descontracção após um dia extenuante de trabalho.

Parece óptimo ter televisão; só vantagens! - dizem os vendedores. É facto que todos ficamos contentes e sabemos dar o mérito que esta merece, mas será que somos nós a controlar o que vimos?
Os canais são muito variados, vejo o que quero. - afirmamos diariamente. Bem, então as liberdades foram aumentadas com este fenomeno. Será que é uma janela para o mundo?

Com isto, quero inferir que a televisão pode-se tornar um instrumento de estupidificação. Primeiro, o conceito atribuído é muito pessoal e envolve conhecimentos à priori, mas este é o meu ponto de vista. Peguemos no caso do shopping que vivenciei, hora de almoço, momento de descontracção e todos se sentem cativados pela caixinha mágica (agora mais parede mágica dada a linearidade das tv's). Todos absorvem a informação oferecida; oferecida pois aparentemente não pede nada em troca, mas vejamos as simbologias associadas e a intencionalidade das acções (passar este ou aquele programa). Estamos num local público com um público heterogéneo, porquê passar desporto? Será que todos gostamos de desporto? E de basquetebol? Depois, por que motivo foi escolhido e o basquetebol? Seria apenas por que a programação assim o delineou ou porque é mais importante que o andebol, por exemplo?

Estou a colocar perguntas para as quais não vou tentar responder concretamente, apenas para se ter uma ideia de que estamos a falar. Para o empregado que ligou a televisão na sportv, pode ter ocorrido uma de três coisas: gosta do canal em si, tem uma percepção dos gostos dos usuários daquele espaço fruto do seu senso comum ou simplesmente não se preocupou e foi o primeiro que apareceu. Ou seja, fruto de uma singularidade que é uma acção individual, toda uma colectividade é afectada. Vamos agora a uma perspectiva mais macro. Quem faz a programação do canal tem o poder de decidir que desportos mostrar e também será fruto de uma de três opções: tendo em vista o lucro da empresa é mostrado o desporto com mais adeptos, preferência pessoal pelo desporto basquetebol em detrimento de outros ou pressões exteriores exercidas pelos clubes de forma a publicitar o clube A ou B.
Qualquer que seja a explicação, a mim resta-me especular, a decisão de um afecta a construção identitária de muitos. Pois o que nós vemos ou ouvimos, tudo o que absorvemos vai moldar o nosso pensamento e as nossas opiniões e a tão proclamada liberdade de pensamento e expressão é não mais do que resultado de um construto social previamente pensado e definido pelas vontades alheias. Cabe-nos a nós, em última instância, aceder ou não à informação "oferecida" pois não quero aqui ser determinista ao ponto de dizer que somos todos formatados e a liberdade aparente é não mais do que uma prisão subtil e bem mais abrangente do que as outras prisões, fisicamente falando.

Por último, mas não menos importante gostaria de fazer uma espécie de comparação entre as pessoas presentes naquele local e essas mesmas pessoas à muitos anos atrás - quando eram bébés. Os bébés, como se diz vulgarmente, são muito bonitos e fofinhos, mas também muito frágeis e necessitam de uma atenção extrema ou até que precisam da nossa ajuda para desempenhar as tarefas e mais tarde de educação para serem bons seres humanos. De facto, a primeira imagem que me veio à cabeça quando deparei-me com o panorama de alguns homens adultos colados ao ecrã da televisão, alienados de tudo o que se passava em seu redor, com o foco de atenção concentrado num único ponto; pensei apenas nos bébés(!) que quando vêem algo com cores garridas e vivas ou quando queremos chamar a sua atenção dizemos: Olhó lindo! E (estalando os dedos) olha para aqui, que bonito que o bébé é!! E é isto que, por intermédio de uma subtileza inabalável a televisão disse àqueles homens, eu incluído pois não deixo de ser homem, de gostar de desporto e muito menos de pertencer a esta sociedade.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Frase do mês

"O indizível só me poderá ser dado através do fracasso de minha linguagem" (Clarice Lispector)

Para quem leva o esforço de nomear e designar demasiado a sério. Para atingir a plenitude do real nem sempre devemos tentar alcançá-lo, por vezes é ele que chega até nós.

sábado, 21 de maio de 2011

Depois dos 60

Fonte: http://mazungue.com/angola

Passa-se o tempo, passa-se a euforia, passam-se os encantos primitivos de uma natureza débil. è verdade: envelhecemos. Acontece-nos a todos e este fado torna-se irreversível. Talvez não (dirão alguns), talvez a estética evolua e o elixir da juventude seja alcançado.

Bem... A fase da alquimia parece ainda não ter terminado. A procura (cada vez mais normalizada) para impedir as construções temporais ainda agora começaram. Todo o marketing nos remete para a beleza da juventude, a felicidade do novo contra o desgaste do velho. O consumismo desmedido alimenta esta figura e transforma-a; molda-a à sua imagem.

Mas e o reverso da medalha? O que pensam aqueles cujas vidas passadas foram ricas em jovialidade e agora se encontram enclausurados num corpo de velho? Qual a razão para o corpo não acompanhar o espírito? Será que um prevalece sobre o outro?

Todas estas questões se encontram no imaginário de um comum mortal, podendo ou não emergir dos seus recônditos. Uma face desgastada não é, por si só, o sinal de um fim próximo; é a marca de uma vida plena em felicidade. Aquelas rugas não são deformações, são marcas do tempo cravadas na pele, são os momentos marcantes, as memórias recordadas com um sorriso nos lábios.

Isto é viver, meus amigos! Poderiam dizê-lo em voz alta, mas preferem esconder o sentimento num cantinho escuro do seu pensamento. É olhar um espelho e não ver um rosto envelhecido e acabado. Ao invés, é recordar os bons momentos e concluir que "aquilo ali" é o resultado de uma vida desfrutada ao máximo.

A compaixão dos outros é substituida pela sensação mais marcante de todas: a saudade! Saudade dos tempos passados que obrigatoriamente devem ser transformados em memórias que ficam gravadas para todo o sempre como se de uma capa protectora se tratasse.

Aos 60, é olhar em frente pois o caminho ainda é longo. Existe família? Vive sozinho? Trabalha... Ou está reformado? Perguntas quotidianas não interessam pois cada um terá a sua missão. O importante é perceber que ainda dependem de nós e não que somos dependentes. Nessa altura, em que o tempo corre mais devagar, o prémio alcançado é maior fazendo-se muito menos.

E no fundo, pelas entranhas ouve-se uma vozinha... Ei! Ainda estou aqui!!


quarta-feira, 6 de abril de 2011

África Minha


Eis que os portugueses voltam a África num contexto actual de crise...

África é sinónimo de descoberta, de procura, de um intuito pré-estabelecido. Como é do conhecimento geral, Portugal foi um dos colonizadores de África, mais propriamente da África Negra. Durante longas décadas fomos um só, as colónias eram nossa pertença mas também o nosso armazém ou fiador. 

O sistema capitalista foi-se instalando e as colónias (à semelhança das nossas congéneres europeias) tornaram-se óptimos portos de abrigo, a salvação e o último recurso no que toca a políticas exportadoras bem como era garantida a importação dos produtos nacionais; servindo assim os interesses do Estado e equilibrando a balança em tempos difíceis. Mas, não foi suficiente...

O regime ditatorial instalou-se e à semelhança do ocorrido actualmente na zona arábica e do médio oriente, a revolta gerou-se no seio das populações. Embora não se trate do mesmo tipo de revolta, está inerente em ambos o desejo de independência. Para quê esta guerra travada? É certo que teoricamente existe agora a independência desses países, mas sob uma visão mais atenta e do ponto de vista económico, o caso muda de figura. 

Especificando agora o caso angolano, o que me interessa debater, verificamos por índices como o IDH (índice de desenvolvimento humano) que as diferenças ou desigualdades para ser mais correcto são abissais. Sim, existe liberdade mas está na posse de quem? Relembro o caso ocorrido no mês passado, em Luanda aquando da revolta egipcia; os angolanos convocaram uma manifestação e saíram à rua. A que custo? O braço armado do Estado, o instrumento da repressão funcionou como um relógio suiço. A ameaça iminente desvirtuou as intenções dos manifestantes e os poucos que resistiram, acabaram presos. Foi proibido o direito a manifestarem-se!

Interagindo um pouco com Portugal, a existência de investidores angolanos em bancos portugueses acontece por alguma razão, esta capacidade financeira não cai dos céus obviamente. E será por este meio que nos irão ajudar? Ajuda maior tem sido o contínuo desenvolvimento de Angola, promovido pelas construtoras portuguesas. África tornou-se um paraíso para os trabalhadores portugueses, a nova oportunidade de vingar na vida, de fazer uma carreira`; à semelhança da emigração para França, Luxemburgo, etc, no século XX. Paraíso para jovens recém-formados, escape para trabalhadores com mais de 20 anos de serviço e que se vêm obrigados a emigrar para alimentar as suas famílias!

Tudo isto me leva à imagem que marca uma geração, ao paralelismo entre a guerra colonial e os profissionais da construção civil em que ambos viram-se obrigados a emigrar para África. A imagem do aeroporto que não me sai da cabeça, são diversas as similitudes. Os homens que deixam as suas famílias não por desejo, mas por imposição, as crianças que vêm a sua figura paternal partir, as mulheres que perdem o seu confidente, as lágrimas derramadas... Sim, agora Portugal não está em guerra, mas e em Angola? Cuja corrupção atinge proporções que nos ultrapassa, em que o "Kwanza" é sinónimo de amizade na praça pública, em que os não-hipócritas se sentem impotentes perante a putrefacção vigente. Não será este um clima de medo semelhante ao de guerra? O acordar de manhã sem a certeza do deitar à noite?
Épocas diferentes, problemas semelhantes! A esperança aliada à fé no regresso sereno dos heróis guerreiros, sim guerreiros não são só os que guerream. A felicidade no olhar, o amor instalado no coração, a impaciência que perpetua-se na contagem dos dias. A vontade de regressar torna-os mais fortes e fá-los remar contra a maré e o dia D aproxima-se.

Tempos passados, a história repete-se. Contextos diferentes, imagens iguais. As similitudes e as parecenças fazem deste tempo especial, não para apreciar mas para aprender. O futuro encarregar-se-á de pôr à prova os ensinamentos de hoje.

quarta-feira, 30 de março de 2011

"Como lidar com as mulheres?" (Nessahan Alita)


Comecei ontem a ler este livro. Fala-nos do perfil comportamental da mulher e encontra certas regularidades nas suas atitudes que nós, homens, podemos perceber e como tal contorná-las.
Para quem pensa que este se trata de mais um livro de auto-ajuda, desengane-se! Tem por base um estudo feito desde os anos 80 até ao início do século XXI na sociedade brasileira em que se fizeram inquéritos às mulheres brasileiras de forma a estabelecer certos padrões comportamentais.

O autor fala-nos também um pouco da sua história pessoal, marcada por desgostos amorosos que enviezam o seu produto final. O intuito de mostrar a mulher como um ser insensível e maquiavélico no sentido de traçar um plano genial para enfraquecer o sexo masculino é formidável. A caracterização da mulher como um ser frio e calculista, que evoluiu de acordo com os factos históricos conhecidos por todos, também não fica atrás.

Aconselho a todos os homens que têm curiosidade de saber um pouco mais do obscuro universo feminino.

terça-feira, 29 de março de 2011

Porquê?

Eu bem sei o que estão todos a pensar... Um blog? Nada original!

Pois bem, o objectivo não é ser original mas sim único. Todo o ser humano sabe que necessita de trabalhar em equipa para atingir os fins mais legítimos, mas quem não aspira ao sucesso individual?

Desta forma, a criação deste blog tem como função torná-lo num espaço meu. Meu e dos meus seguidores pois encontramo-nos numa comunidade e sem as recentes redes sociais tal objectivo a que me proponho não seria possível. Advirto desde já para o facto de este ser também um espaço de discussão e que os temas abordados poderão (e deverão) ser controversos.

Desejo felicidades a todos e.. Ate já!