sábado, 21 de maio de 2011

Depois dos 60

Fonte: http://mazungue.com/angola

Passa-se o tempo, passa-se a euforia, passam-se os encantos primitivos de uma natureza débil. è verdade: envelhecemos. Acontece-nos a todos e este fado torna-se irreversível. Talvez não (dirão alguns), talvez a estética evolua e o elixir da juventude seja alcançado.

Bem... A fase da alquimia parece ainda não ter terminado. A procura (cada vez mais normalizada) para impedir as construções temporais ainda agora começaram. Todo o marketing nos remete para a beleza da juventude, a felicidade do novo contra o desgaste do velho. O consumismo desmedido alimenta esta figura e transforma-a; molda-a à sua imagem.

Mas e o reverso da medalha? O que pensam aqueles cujas vidas passadas foram ricas em jovialidade e agora se encontram enclausurados num corpo de velho? Qual a razão para o corpo não acompanhar o espírito? Será que um prevalece sobre o outro?

Todas estas questões se encontram no imaginário de um comum mortal, podendo ou não emergir dos seus recônditos. Uma face desgastada não é, por si só, o sinal de um fim próximo; é a marca de uma vida plena em felicidade. Aquelas rugas não são deformações, são marcas do tempo cravadas na pele, são os momentos marcantes, as memórias recordadas com um sorriso nos lábios.

Isto é viver, meus amigos! Poderiam dizê-lo em voz alta, mas preferem esconder o sentimento num cantinho escuro do seu pensamento. É olhar um espelho e não ver um rosto envelhecido e acabado. Ao invés, é recordar os bons momentos e concluir que "aquilo ali" é o resultado de uma vida desfrutada ao máximo.

A compaixão dos outros é substituida pela sensação mais marcante de todas: a saudade! Saudade dos tempos passados que obrigatoriamente devem ser transformados em memórias que ficam gravadas para todo o sempre como se de uma capa protectora se tratasse.

Aos 60, é olhar em frente pois o caminho ainda é longo. Existe família? Vive sozinho? Trabalha... Ou está reformado? Perguntas quotidianas não interessam pois cada um terá a sua missão. O importante é perceber que ainda dependem de nós e não que somos dependentes. Nessa altura, em que o tempo corre mais devagar, o prémio alcançado é maior fazendo-se muito menos.

E no fundo, pelas entranhas ouve-se uma vozinha... Ei! Ainda estou aqui!!