sexta-feira, 8 de maio de 2015

Desabafos do Além


Fodasse.
Assim mesmo.
Sem hífen nem separação.
Um grito de revolta no seu mais puro estado.

Descarga elétrica
Com energia cinética.
Turbilhão de emoções,
Sangue a fervilhar
Nos nossos corações.

Caminhos modestos
Trilhos encobertos,
A folhagem densa
Esconde o Homem que não pensa.

Age naturalmente
Sê persistente
Melodias ecoadas
Na nossa triste dialética.

Fodasse para a razão,
Fodasse o entendimento,
Fodasse a compreensão
Aqui vale a convicção,
Aqui vale o sentimento
Aqui vale o coração.

Há os que criticam,
Os que não percebem e troçam,
Seres consumados no prazer
De uma realidade oferecida.
Mas os outros,
Os outros sim…
Seres incompreendidos
Nesta vida profana.
Merda de sociedade
Que nos mente
E nos gama,
Que nos rebenta as entranhas
E nos joga na lama.

Recolhe os pedaços.

É tempo de avançar.
Fazer tudo outra vez
Para esta podridão acabar.

Um cheiro putrefato a novo
Jesus na cruz seria um estorvo.
Higienização citadina
A miséria humana a cada esquina.

Fodasse para nós, fodasse para os que nos amam,
Iludidos na tradição
Em busca de uma felicidade comum.
Triste fado o nosso
E felizes aqueles que vagueiam pelo espaço.