quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Desigualdades em saúde


O mote para escrever sobre este assunto foi a minha participação num debate online para a disciplina de Sociologia da Saúde cuja temática particularmente me interessou. Assim e com a devida edição irei proceder a uma transcrição que deverá ser lida segundo o efeito para o qual foi escrita.

«Boa noite,

Dada a minha intervenção tardia em termos cronológicos, vejo-me numa posição delicada quanto a tecer contributos que produzam soluções relativamente aos temas apresentados no relatório "Fair societies, healthy life" ou a outros campos de ação derivados deste. Como tal, opto por problematizar mais um pouco e referir-me ao recente relatório do consórcio liderado por Sir Michael Marmot (cuja denominação de "Sir" já demonstra a pertinência dos seus contributos) intitulado "Health inequalities in EU", salvo erro publicado no passado dia 11 de Dezembro e que se encontra disponível em http://ec.europa.eu/health/social_determinants/docs/healthinequalitiesineu_2013_en.pdf.

Li atentamente todas as participações dos colegas e tentarei referir-me a eles sempre que o tema se aproxime com o exposto anteriormente. Assim e excluindo a hipótese de voltar a definir conceitos, começaria por me questionar sobre a forma correta de reduzir desigualdades que está no mote desta discussão. Pegando em ideias da Cátia, verificamos desigualdades, entre outras, nos diversos tipos de capital, como o económico como central no acesso aos serviços; verificamos assimetrias entre litoral e interior que podem ou ser explicadas em termos de distribuição de recursos e/ou infra-estruturas e decorrente das palavras do relatório de Marmot de 2010 a injustiça pela existência de condicionamentos que podem ser evitados. Pergunto-me então se as desigualdades devem ser combatidas a um nível global ou com uma agenda separada na saúde; ou melhor se as desigualdades na saúde devem ser combatidas na saúde ou num plano mais amplo que posteriormente reduza as assimetrias na saúde?

Tal questão segue na linha da reflexão proposta pela Sandrina e não possui resposta imediata nem tão pouco permite uma certeza na resposta pela multidimensionalidade do fenómeno. Cabe-me problematizar em vez de tentar solucionar pelas circunstâncias descritas no início desta intervenção. Apesar da falta de certeza existem certas pistas, que traduzem necessidades, que podemos e devemos seguir. Retiro da intervenção da Catarina a necessidade de um "levelling-up", um nivelamento por cima, algo que ultimamente tem sido colocado de parte. Basta ver as opções políticas tomadas no contexto nacional para verificar que a destruição da(s) classe(s) média(s) para uma crescente desigualdade num sentido lato do termo é tão simplesmente um mecanismo de "levelling-down" e o fosso entre classes que nos aproxima de países em desenvolvimento é um sério problema. Antes ainda de tentar lançar mais pistas, convém ressalvar que o meu foco é a União Europeia, apesar de não único. Como tal, problemas como o referido pelo Bruno da desigualdade pelo não registo de crianças não é algo central apesar de ter noção da dificuldade que é identificar problemas numa população que nem sempre "existe". Remete-nos aqui para questões de dimensão e escala que são importantíssimas no pesar de prós e contras na adoção de políticas em saúde. Posso dar o exemplo que dei em sala de aula das comunidades que vivem nas montanhas do Peru que devido à sua pequena dimensão e dificuldade de mobilidade não têm acesso a meios de saúde, pois o investimento não se justifica.

Pegando na ideia de desigualdade de oportunidades proposto pelo Pedro, gostaria de continuá-lo referindo que não somos todos iguais à nascença. Somo-lo de um ponto de vista físico, mas o seio familiar em que nascemos muito nos diz sobre as oportunidades que poderemos ter no futuro. Não remeto aqui para uma estaticidade do sistema nem uma ausência de mobilidade, mas sabemos que são poderosos os mecanismos de reprodução e manutenção de desigualdades. Logo, dada esta desigualdade "natural" no sentido que não depende do indivíduo per si, existe a necessidade de uma discriminação positiva que a Vânia nos fala que sirva de ajuste como garante da equidade. Assim verifica-se que não é apenas ao nível da saúde que devemos atuar para uma completa e eficaz redução das desigualdades; o nível educacional é muito importante e para a literacia garante o acesso a meios negados aos que não possuem tais capacidades. Falo por exemplo do acesso à informação e dou novamente um caso referido em contexto de aula também no Peru no qual o governo descriminalizou as relações sexuais entre jovens com mais de 14 anos. A perseguição aos jovens rapazes que eram inclusive acusados de violação e suscetíveis a uma pena até 25 anos de prisão terminou pensando-se no bem coletivo. Uma medida aparentemente simples, mas que desencadeia ações bem maiores. Em concreto, as relações sexuais existiam antes desta descriminalização e questão foi pesar as vantagens e desvantagens. Foi identificado o público-alvo e tomaram-se medidas conducentes. Agora, as doenças sexualmente transmissíveis e as gravidezes na adolescência não são um tema tabu e podem ser devidamente acompanhadas e os jovens podem ser informados (aqui a relação entre escola e saúde deve funcionar). A sensibilização para com comportamentos adequados no que toca à saúde deve ser uma constante ao longo da vida e se os mais informados ou com mais recursos conseguem nortear as suas ações, quem menos recursos possui (falo dos vários tipos de recursos) tem o direito de ser ajudado como Marmot nos diz de serem empoderados para poderem tomar as suas próprias decisões.

Em muitos pontos comuns aos colegas eu já toquei e enumerei alguns deles; porém antes de me referir ao mais recente relatório da União Europeia relativamente às desigualdades gostaria de ser crítico quanto à ação "humanitária" de alguns países desenvolvidos. Enquanto Organizações Não-Governamentais (ONG's) sem fins lucrativos e muitas vezes com base em voluntariado, lançam-se para o terreno para ajudar as comunidades em países do terceiro mundo; vemos apoios de Estados internacionais em forma de campanhas de solidariedade que são inócuas em termos de produzir reais melhoramentos e não passam de descargos de consciência pela sua ação nociva seja em contextos de guerra, neocolonização ou exploração laboral. Em causa está o apoio aos direitos humanos, que tanto têm sido debatidos nestes dias pela comemoração dos 65 anos da Declaração Universal do Direitos Humanos, que no reverso da medalha e em função de ideais económicos neoliberais tanto põe em causa as condições de vida das populações. Daqui deriva o fenómeno de crise económica que tanto se fala que na minha opinião não se trata de uma crise, pois como vemos em saúde uma crise é algo temporário, de curta duração; o que não se verifica nesta temática. Daí eu pensar num novo paradigma económico ou numa nova ordem económica mundial. Isto para focar todos os sacrifícios e cortes que o Estado Social tem vindo a sofrer e que colocam em risco o mesmo. A discussão entre sector público e privado é também outro tema interessante de analisar segundo as desigualdades que produz e quais os intuitos das políticas por quem as formula, essa sim é a real questão que só uma sociedade informada, rica em cidadania e participativa poderá incluir-se neste tipo de decisões.

Por último, mas não menos importante focar em dados do relatório "health inequalities in EU". Relativamente às desigualdades na saúde entre estados-membros, verifica-se uma geral diminuição por parte das mulheres comparativamente aos homens e uma importante diferença na sua perceção da doença (p.23-24) e no caso português é interessante verificar essa perceção de que a sua saúde não está boa quando comparada com os anos de vida vividos com essa limitação. A disparidade entre homens e mulheres relativamente ao estado de doença é deveras interessante (p.27). Destaco ainda a forte redução na desigualdade entre os países-membros quanto à mortalidade infantil que reduziu 26% entre 2000 e 2010 dos quais 19% entre 2005 e 2010 (p.48-49). Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), "The social, economic, political, environmental and cultural factors that shape health are known as the social determinants of health" (p.50). Partindo deste quadro concetual, toma-se o ambiente social como explicativo de certos comportamentos de risco que traduzem baixos níveis de saúde. Como exemplo, podemos ver a identificação de quem é fumador relacionando-se com a sua posição social, traduzida ao nível de educação, os rendimentos auferidos, condição perante o trabalho, género, etnia e raça (p.92); verificamos importantes correlações que desmistificam a explicação individual comportamental.

Muitas mais situações poderiam ser mostradas neste relatório rico em informação, mas de forma a ser mais sucinto convém apenas focar algumas das suas conclusões. Uma delas é a importância da manutenção do Estado Social por intermédio da aposta na educação e nos apoios sociais aos desfavorecidos derivado da conjuntura económica atual. A necessidade de uma redução das desigualdades ao nível global que se refletirá ao nível local, algo que responde à minha pergunta efetuada no início desta intervenção. O foco nas políticas de "levelling-up" com a devida introdução, monotorização e avaliação das mesmas. A liderança e a ação ao nível europeu devem ser repensadas de forma a combater de forma eficaz as desigualdades (p.11)

Assim e após apresentar as principais conclusões do estudo que vão de encontro ao exposto ao longo deste debate, cabe-me frisar a necessidade não só de problematizar mas também de agir. A identificação dos problemas é fundamental mas e para não agravar as desigualdades nos países essencialmente num contexto económico delicado torna-se preponderante agir em conformidade e já existem diretrizes ou caminhos a seguir. Este relatório pode ser encarado como um deles. Peço desculpa por me ter alongado um pouco, mas nesta fase do debate é mais difícil ser sucinto dada a pluralidade de temas já falados e que possuem igual pertinência. »


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Afinal os blogs também têm férias!!!



                                 Fonte: http://blog-da-beleza.blogspot.pt


É verdade caros leitores, os blogs (agora) também têm férias. Ou isso ou o meu ganhou vida própria e foi acampar para outras paragens. Não não não não não! Acampar não é possível pois com a catrefada de links e ícones aqui presentes não há mochila que resista. Cá para mim foi aos Estados Unidos, ele sempre me disse que gostava de conhecer os seus antepassados. Mountain View é portanto a minha aposta. 

Não sei se repararam... Ele veio mais moreno! Vejam só o contraste com o loirinho das letras. Pensava ele que eu não reparava... De facto, a California sempre lhe suscitou interesse. A costa Leste com as suas magníficas praias com surf e tubarões à mistura? Uii que beleza! A possibilidade de ficar sem um cabeçalho numa mordidela, o iminente afogamento de um post passado, a aventura presente a cada actualização de página.

Mas porque raio foi um blog passar férias? - perguntam os mais incautos. Shiuuuu... Então? Os blogs também têm sentimentos e se este se fartou de exteriorizar sensações e pensamentos, acho muito bem que tire um tempinho para si. Sabem, fazer umas reflexões ou como diria um certo blogger umas "introspecções explanatórias". Não pensem que a vida de blog é fácil. Não há dias de folga, não há férias e a remuneração não é por aí além; aliás, para quê receber remuneração se tem de estar presente "on-the-line" 24/7? Só se as compras forem feitas pela internet, mas não sei se já se adaptou a essas modernices... É muito desconfiado, fazer uma simples transferência bancária é como se lhe pedissem para mudar de casa ou de endereço passe a expressão. Eu não gosto de ser má língua, mas acho que ele estava mesmo a precisar. Aqui entre nós, ainda à dias começou a medicação para o Alzheimer. Não é que se esqueceu onde guardava os arquivos? Imaginem que entrava alguém e lhe pedia algo do ano passado? Bem sei que estar sentado o dia todo ao balcão esperando novos visitantes não é muito saudável, sei também que passam dias em que os insectos invasores são a sua única companhia (a tortura dos minutos parecerem horas são uma constante por estes lados). Felizmente o seu patrão aumentou os horários de almoço e jantar, assim sempre pode dar um salto à praia para navegar ou surfar um pouco. O problema é que em contrapartida empanturra-se de fast-food. Diz ele que os anúncios são tão chamativos, cores vibrantes e pop-ups constantes que não consegue resistir. Já ano passado foi assim que caiu no vício do jogo, não fossem os novos filtros do explorador que eu comprei e andava aí nas apostas feito doido. É preciso andar em cima dele, quem executa não necessita da capacidade intelectual no seu trabalho mecânico diário. Qualquer dia dizem que os operários fabris pensam para que lado apertar os parafusos hahaha Apertam para onde lhes mandam apertar e acabou. E se lhes perguntarem, dizem-vos: - Porque sim! Foi assim que nos ensinaram. 

Acho curiosa esta constante ligação aos aspetos da tradição e do não questionamento por comodidade. Mas a verdade é que não precisam de saber as razões, não alteram as suas funções. Foi assim que os grandes pensadores fugiram à norma e foram apelidados de doidos varridos. E o meu blog é um desses executantes, fico feliz por confiar em mim a 100%, faz as coisas todas a tempo e horas e eu digo bem dele aos superiores. Depois é isto, sempre as feriazinhas no Verão. Boa vida, é o que é!

Agora que descomprimiu o suficiente... Se calhar não sabem mas o stress blogosférico é causador de morte súbita e responsável por 40% do total dos óbitos dos blogs e 5% dos cibenautas quando a relação blog/utilizador se torna intrínseca. Por isso, vem a calhar este contraste de amarelo e castanho no arranque de um Outono cheio de força e criatividade que levará a uma nova série de encomendas e recados a serem feitos em tempo útil. Muito trabalho pela frente, meus amigos! Vamos abrir as portas que a fila já dobra a esquina e aguardem por novidades fresquinhas como os ventos alísios.

E não se esqueçam de colocar os donativos na primeira caixinha na entrada e as dicas e sugestões na segunda. Por favor não se enganem pois sugerir dinheiro não é grande ajuda e para doações de papel compro uma floresta.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

A Noite



Tim - Por quem não esqueci

Procuro à noite, um sinal de ti
Espero à noite, por quem não esqueci
Eu peço à noite, um sinal de ti
Por quem eu não esqueci



Estamos em Maio e isso significa duas coisas para a população estudantil portuguesa. O culminar de mais um ano de costumes académicos e/ou praxísticos. Como tal é tempo de festejar na habitual Queima das Fitas! O segundo significado é o alerta para o término das aulas, já só falta um mês!! Nesta altura tudo se complica, festejos e trabalhos sobrepõem-se e o actor multiplica-se... Certo, errado? Trabalho ou festejo? Quem quero ser? Ou quem serei aos olhos dos outros?

Questões... Muitas questões... E o tempo aperta para lhes dar resposta.

Aproveito o momento para fazer a minha homenagem a uma banda, embora apenas foque o vocalista nesta melodia, que ano após ano integra a tradição académica, pelo menos cá no Porto e satisfaz os estudantes com o seu concerto anual. Um exemplo de longevidade e adaptação aos novos tempos, aos novos desafios da vida actual. Neste caso concreto esta cover dos Sétima Legião que foi extramamente bem conseguida e se tornou um dos marcos vocais de Tim. Relativamente ao original já passam 20 anos, a intemporalidade  das melodias é algo que me fascina, um redescobrir de signos, referências; mistura de atrevimento e astúcia das consequentes novas gerações.

O que também me fascina é a noite. Por definição noite é um período de tempo, entre o crespúsculo e o amanhecer, a oposição do dia e uma outra face. Desde sempre a escuridão cria sensações de insegurança nas pessoas, a falta de plena visão e o não uso da plenitude das nossas características de localização ou movimentação podem também entrar neste compartimento. Ligação ao racismo? Porque não? Basta uma  associação... Se o que é escuro causa insegurança, uma pessoa de pele escura também o causará. Simples raciocínio, redondamente erróneo. Não são as noites perigosas nem  as pessoas de pele escura que cometem crimes; ambas são o que são. O que fazemos delas é que retornará com consequências.

Mas a noite não é apenas isso. A noite também tem luz(es). Tem a Lua, imponente sempre que lotada, as estrelas e seus semelhantes em termos de posicionamento e a iluminação das infraestruturas humanas. Mas deixemo-nos do concreto quando é o abstracto que nos faz sonhar, que nos faz viajar esvoaçando por entre ramos e redemoinhos momentâneos. Imaginemos um lugar amplo, plena visão em redor e um céu infinito numa queda ininterrupta.

Inspira... Expira... Novamente. Inspira... Expira...

Que sensação é esta? Imaginamos a noite mais fresca que o dia, onde as diferenças se esbatem e os olhos deixam de ver ou de o ser. Sinto um cheiro, a maresia, um eucalipto, a Natureza! Também ouço, ahh pois ouço... Os pássaros mudam de poiso, corujas posicionam-se, morcegos podem finalmente VER. Pois, Natureza não somos apenas nós e se nós não vemos arranjamos quem veja. A gruta é a maior admiradora da noite, perpetua o seu efeito continuamente. O vento bate em mim, perco-me nos seus sussurros. A sua dança hercúlea em meu torno faz-me levitar e então a quietude... O silêncio de um mundo em repouso onde pensadores concebem as suas fórmulas, onde criadores encontram a sua musa, onde os artistas fazem do mundo o seu Mundo e o espedaçam pela sua vontade.

Quem trabalha de noite percebe as diferenças, as velocidades alteram-se, o ritmo abranda, cavalgamentos citadinos irrompem na tranquilidade. Afinal a noite é mais humana, os seres que a frequentam cometem menos atrocidades, não há atropelos nem possibilidade de caos! O dia é mais violento, desde'manhã somos violentamente arrancados do descanso. Será a normalidade a nossa norma, ao que aspiramos como condição última do desenvolvimento humano? Se o mundo está a desenvolver, bem prefiro regredir.

Estou encurralado. Sou perecível e a temperatura aumenta. Fico a sós com o meu silêncio e ele grita por auxílio. Também ele fora extinguido.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Drogas - Resistir à tentação

                                   Fonte: Marijuana Posters




Dou por mim a pensar em drogas... Por si esta pequena frase causaria polémica e a razão é óbvia: DROGAS NÃO SÃO ACEITES NA NOSSA SOCIEDADE.


Antes de me questionar acerca desta afirmação, convém dizer que tudo o que aqui é escrito é fruto da inspiração espontânea, de um momento de iluminação próspero que depois de redigido não mais é alterado sob pena de se perder a insanidade temporária típica das ideias e a sua mesma originalidade. Para os mais curiosos, aconselho que atentem nas inúmeras referências à ligação entre criatividade e comportamentos de risco como no exemplo de Truman Capote acerca da sua condição enquanto escritor "Esta profissão é uma longa caminhada entre um drinque e outro" ou as palavras do dramaturgo irlandês Brendan Behan "Somos bebedores com problemas de escrita". Posições extremas, é certo e relativamente à maior efectividade relacionada com o álcool cabe a cada um tomar o seu partido, no entanto é inegável a ligação. Isto tudo para fundamentar a não reescrita dos textos produzidos à semelhança do artista que cria a sua obra num dado momento e que não volta atrás.

Mas o tema de hoje são as drogas e partir da frase identificada a maiúsculas podemos tirar algumas ilações. Primeiro convém saber o que são drogas e segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa, consultado dia 9 de Abril em: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=droga, droga pode ser: um nome genérico de todos os ingredientes que têm aplicações em indústrias ou farmácias; um estupefaciente que é uma substância que pode modificar o estado de consciência; especiaria aromática; entre outras que não são importantes para aqui. Por aqui já distinguimos duas dicotomias que se criam em volta das drogas...

Primeira: drogas leves/drogas duras e segunda: drogas legais/drogas ilegais. Ambas estão relacionadas e será em volta delas que me irei debruçar.A distinção entre drogas leves e duras ou pesadas basicamente tem a ver com o nível de dependência ou adição com que o indivíduo fica e as consequências para a saúde. Aqui entramos no campo do que é actualmente aceite pela ciência e suas recomendações e o que na realidade são os efeitos positivos e negativos da droga em si. A questão da legalidade da droga varia obviamente consoante o seu tipo e os seus efeitos mas também dependendo da sociedade que pretendemos objectivar. Acima de tudo, a questão da legalidade é política e cultural acima de científica; não existe outra justificação para a droga x ou y ser legal num país e ilegal noutro. Duvido muito que algum Estado queira propositadamente prejudicar a sua população.

Foram lançadas algumas ideias acima que nos permitem começar a conjecturar o quadro do tema de hoje. Vamos então lançar mais algumas relativas à natureza das drogas. Podem elas ser naturais ou sintéticas e aqui tenho de fazer um parêntesis e falar da questão que atravessa a sociedade actualmente, a questão das smartshops. É sabido que estas são maioritariamente sintetizadas e que são químicos que as fazem, químicos com ou sem formação não interessa, no sentido em que usam compostos químicos e como tal colocam sucessivos entraves à sua proibição. A questão central na cabeça de quem consome e não consome drogas (de forma responsável, algo que irei tratar adiante) é que sendo conhecidos os efeitos destas drogas e a sua composição, como era possível a sua legalidade? Muito simples! Fiscalização é a palavra chave mas não a culpemos ainda. Muitos destes compostos sintéticos eram e são usados em animais, não para consumo humano e foi esta passagem que contornou o sistema de fiscalização. Felizmente em Março passado, foi anunciada a proibição de 160 destas substâncias e para mim mais importante o encerramento destes locais que ainda iremos aferir a sua concretização. Porém, o problema reside mesmo na química pois uma pequena mudança nos compostos criam novas substâncias psicoactivas com efeitos semelhantes às proibidas e que encontram-se à margem da lei e com legitimidade para serem vendidas. A solução, em parte, passa pelo fecho destes locais e essencialmente pela mudança de mentalidade de quem as consome. Sociologicamente falando e como eu defendo, a estrutura deve estar presente no campo de acção individual mas apenas para defender os interesses de quem não o pode ou não tem idade para o fazer (alusão aos consumidores destas drogas sintéticas que são muitas vezes menores).

Feito o parêntesis, voltemos ao local onde iniciamos. Proibição ou não proibição das drogas... Uns defendem que para o bem do ser humano, as drogas devem ser banidas pelos malefícios que criam; outros defendem a liberdade de escolha e relembram os fins medicinais de algumas destas tão criticadas drogas. E será por aí que inicio. Depois de uma breve pesquisa verifiquei alguns casos de usos de drogas inclusive pesadas para fins medicinais em finais do século XIX. A partir da Hype Science visível em http://hypescience.com/ verificamos usos de heroína, cocaína e morfina como remédios miraculosos e que foram alvo de grande propaganda como o demosntram os exemplos: Heroína da Bayer - na viragem para o século XX era visto como um substituto não viciante da morfina e dado às crianças para combater a tosse: Vinho de coca da Metcalf, vinho Mariani e Maltine, como muitos dos vinhos da altura, continham cocaína e no 2ºcaso o papa Leão XIII era seu consumidor assíduo e consagrou o seu produtor; o orgulho da Boehringer & Soehne na liderança do mercado da cocaína, traduzido em publicidade; a propaganda em favor da heroína da Martin H. Smith Company que traria efeitos terapêuticos contra asma, tosse e pneumonia e deveria ser misturada com acuçares para viabilizar a ingestão oral; a ingestão da cocaína para quem usasse a voz como ferramenta de trabalho e para combater as dores de dentes em crianças, ambos com efeitos "animadores"; o ópio inalado para combater a asma ou como a marca de temperos Sticney and Poor sugeriu, umas gotas ou uma colher cheia (caso dos adultos) da mistura de ópio de álcool para acalmar os bébés recém-nascidos.

Como vemos, antigamente as drogas faziam parte do dia-a-dia e hoje foram substituídas por... medicamentos. Ora bem, não será algo promíscua esta substituição? A questão central para mim, para além dos efeitos no corpo humano prende-se com a adição e as motivações que levam o indivíduo a optar por consumir drogas. Claro que tenho uma opinião formada, em constante transformação diga-se e que irei transmitir mas acima de tudo o essencial é pensar nestas palavras sem qualquer tipo de condicionalismos exteriores, sem pensar "Não, isto é ilegal e faz mal" ou "Quero ser rebelde e faço o que eu quero". A abstracção da informação concedida pela sociedade é fundamental e isto faz-nos inverter lógicas dominantes e lidar com credos pessoais.

Irei limitar o meu pensamento à realidade portuguesa e agora sim à minha visão do problema. Começo por problematizar todas as "drogas" que são legais. Temos o álcool, tabaco, medicamentos, etc; bastam estes três exemplos presentes no dia-a-dia e dos quais dificilmente alguém escapa. Se evitam um, acabam por consumir outro. Dentro dos medicamentos faço uma ressalva para as medicinas alternativas, não falo dessas neste caso senão teria de introduzir algumas drogas leves que estão presentes nos seus tratamentos mais propriamente para evitar a dor. Além destes três itens, poderia considerar em certa medida como droga tudo o que cria adição e aí entram alimentos, seja o caso do chocolate, doces ou mesmo enchidos e azeitonas. Casos comprovados de que, quando ingeridos em excesso prejudicam gravemente a sua saúde de quem os consome, ou melhor potenciam os factores de risco de certas doenças. Mas para não me acusarem de comparações desmedidas, retiro estes últimos exemplos de adição do quadro que estamos a formar. 

E se em vez de tomarmos um medicamento para as dores de cabeça, optamos por consumir a substância que alivia de forma mais eficaz as enxaquecas que vulgarmente se designa por LSD e faz parte das drogas proibidas, sendo considerada até droga pesada pelos seus efeitos secundários que, para o indivíduo a decide tomar poderão ser menores do que as enormes dores de cabeça. A heroína funciona como analgésico e está presente em dezenas de medicamentos derivados do ópio e presentes nos hospitais. O ecstasy combate a ansiedade e o stress pós-traumático, mas é conhecido pelo seu uso nas festas "rave". A própria cocaína tem seus derivados usados como analgésicos. Mais uma vez a questão passa não pela sua legalidade mas sim pela utilidade e tipo de uso que se dá. O próprio controlo da adição é na minha opinião mais importante do que a droga consumida em si e defendo que para estas drogas consideradas pesadas exista uma maior abertura em relação aos seus benefícios para usos terapêuticos.
Mas à semelhança de uma parte significativa da população, que por acaso até normalmente possui um nível de instrução acima da média sou a favor da legalização das drogas leves e por drogas leves falo de produtos de origem natural, essencialmente folhas de plantas, da família dos canabinóides. Falamos da marijuana e do haxixe ou de uma forma geral dos cannabis ou erva. Em Portugal é descriminalizado o seu consumo que por si só é uma contradição pois se fosse realmente "mau como pintam" seria necessário a responsabilização de quem a consome e não apenas passível de receber uma coima. Porém, o seu tráfego sim, é criminalizado pois a substância permance ilegal. No caso do que designamos por ganza temos de atender que esta nunca é "pura" ou seja descendente exclusivamente de cannabis e pode assim conter outras substâncias bem prejudiciais. E toda esta descrição porquê? 

Para mostrar as diferentes facetas do que a droga representa, mas tudo isto é teoria pois na prática a questão que se coloca é a seguinte: devo resistir à tentação? E o enfoque na palavra tentação, pois só o é devido à ilegalidade das drogas leves (são as que defendo a legalização). Qual era a tentação dos jovens que tomavam as substâncias das smartshops? A ilegalidade não era com certeza e essa é o principal foco, podemos falar na pressão societal do que é certo e errado e neste caso essa ingestão/inalação seria errada? Com certeza o nível de tentação será mais reduzido, pese os prós e contras dos malefícios físicos e psicológicos futuros relativamente aos momentâneos fruto dessas substâncias. 
Vamos verificar a aplicabilidade da resistência à tentação. Uma pessoa sai à noite, em qualquer aglomerado de pessoas em estado recreativo ou seja com disposição para se divertirem a possibilidade de encontrar ou drogas leves ou a minha definição de "drogas legais" - álcool e tabaco é de aproximadamente 100%. É verdade, bem mais fácil encontrar um "vegan" do que um "straight-edge" e quando parece que encontramos um a desculpa do carro para fugir ao álcool  ou de problemas respiratórios para fugir ao fumo é comum. Portanto, estes comportamentos que tendem a ser desviantes, foram ao mesmo tempo incorporados na sociedade e deve ser consciente deles que a sociedade deve agir em conformidade. Criam-se leis para evitar o fumo do tabaco em locais públicos, ele continua a existir e se é de fumo que se trata porquê legalizar um fumo e tornar outro ilegal? Estarão os interesses económicos à frente dos interesses que realmente importam? Será o poderio e influência das tabaqueiras que controlam o sistema político como se de uma marioneta se tratasse?
Questiono-me pois entre fumar algo natural, com (alguns) reconhecidos "poderes" medicinais e algo que possui componentes do petróleo, alcatrão e materiais pesados, qual seria a escolha lógica? No fundo, qual seria a menos prejudicial? A lógica do uso recreativo não funciona aqui pois o tabaco é usado com esse fim e então porque não trocar o cigarro pelo charro? Se for tabaco de enrolar as parecenças aumentam e até fica a dúvida no ar muitas vezes. Não consigo perceber esta questão e quanto mais tento, mais volto à questão da liberdade individual posta em causa pela hipocrisia de um suposto interesse colectivo, societal que não passa de um jogo de interesses entre entidades estatais e empresariais que servem-se da ciência para justificar factos questionáveis e nos quais os usos destoam da sua real essência e é também a ciência a sair prejudicada por esta entidade elitista decisória das liberdades em prol do seu lucro e que levada à forma extrema coloca em causa a real assunção da palavra democracia. Nesta, a maioria é ouvida e duvido que a maioria tome a decisão actual como correcta, apesar da forte influência dos "mass media" controlados também eles por interesses (ver http://introsplana.blogspot.pt/2011_11_01_archive.html) e do sensacionalismo causado por imagens ou histórias, muitas vezes ligadas sem critério ou justificação a este tipo de drogas. 

Se é certo que fumo é fumo e prejudicam os nossos pulmões, também é certo que ninguém sofreu uma overdose de marijuana por exemplo, pelo que os efeitos nefastos devem ser bem explicados aquando da tomada de decisão do comum cidadão. Com isto não quero incentivar ninguém a fumar ou a adoptar este tipo de comportamentos, quero sim não os condenar e retirar o rótulo de drogados a quem os tem e mostrar que os argumentos que baseiam a sua proibição são pouco fiáveis e abaláveis. Quero dar liberdade de escolha e tomar esta atitude liberal que não convêm confundir com o "liberal" típico de partidos à direita na esfera política, pois neste contexto a sua atitude é designada por conservadorismo.

Pensem bem nas vossas acções e "LEGALIZE IT"!


quinta-feira, 28 de março de 2013

O ressuscitar do filósofo

                             Fonte:https://www.facebook.com/rtp?fref=ts

Tentei... Confesso que tentei mas não resisti. Tal como o senhor presente nesta imagem (EngºJosé Sócrates para os mais desatentos) é meu dever fazer comentário político. E parafraseando as suas palavras é meu direito enquanto cidadão atento e interventivo na vida em sociedade e, repetindo, meu dever enquanto defensor de certas injustiças. Antes de mais, convém explicar o título: não passa do exemplo da chacota pública de que José Sócrates tem sido alvo e o intuito deste é o de alertar para a facilidade com que se cai nesta armadilha. 

O que irei comentar, será por natureza polémico pois é indissociável da visão pessoal com que perspectivamos as nossas vivências actuais. Porém é necessário para calar ou baixar o tom às críticas que se mantêm apenas porque sim, sem fundamento e envolto em sentimentos oprimidos e populismo desmedido.

Posto isto, começaria o comentário pela deplorável prestação de dupla de entrevistadores. Que o Governo exerce pressões sobre a televisão pública, até aí penso que todos poderíamos pensar, agora partir para uma entrevista por si só polémica com o intuito único de denegrir a imagem do anterior 1ºministro em função do actual Governo, isso não! E aqui destaco a atitude de Paulo Ferreira, director de informação da RTP, que de tanta vontade de contrariar o entrevistado, esqueceu-se que este obviamente preparou a entrevista e foi conduzido por José Sócrates quando o que se pedia era exactamente o contrário (veja-se o caso das PPP´s que denotou a espera do entrevistado pela entrada desse tema no debate). 
Ficou demonstrada a falta de ética jornalística que por estes dias muito se tem visto, quer em televisão quer nos jornais onde o sensacionalismo e a notícia fácil superam o valor do rigor jornalístico. Numa linguagem mais básica, o que interessa é fazer notícia, não importa às custas de quem. Faz-me lembrar a lógica dos "paparazzi" e das celebridades, mas tema esse ficará para uma futura discussão.

Analisando agora as palavras de José Sócrates, conotado como ex-1ºministro, despesista desmesurado e corrupto. Como os últimos são os primeiros, começo pelo fim. Casos de alegada corrupção cabe aos tribunais a tomada de decisão e tudo o que sejam opiniões para com o fenómeno em causa, não passam disso mesmo, opiniões. Eu (ainda) acredito na Justiça portuguesa (sem a existência do Direito não existe sociedade), no seu funcionamento e que casos de tribunal devem ser tratados no tribunal, ponto final. Para mim e alguns já o sabem uma Justiça bem oleada no sentido de funcional e célere nos seus processos é meio caminho andado para as políticas funcionarem. Mais uma vez, não me quero alongar sobre este tema.

Quanto ao mito do despesista desmesurado, ouvi atentamente as palavras dos intervenientes da entrevista e chego a várias conclusões. Primeira: José Sócrates contra-argumentou de forma eficaz todas as acusações e ressalvo a inércia dos jornalistas para colocar questões delicadas e pertinentes sobre a questão. Quero-me focar na conjunção coordenativa "e" pois questões delicadas só fazem sentido serem colocadas quando pertinentes e não foi isso que aconteceu, foi o ataque político ou até pessoal que presenciamos. 

Segunda: foi desmistificada a "narrativa" usada pelo actual Governo ( pegando novamente em palavras de José Sócrates), quando números foram colocados em cima da mesa. E atenção relativamente à interpretação dos números que, mais uma vez, é da maior centralidade e foi por aí que as distinções do argumento político ocorreram. Relembro que os números são um auxílio, não o produto em bruto e como tal a economia deveria manter o seu lugar como ciência social em vez da constante tentativa de se tornar algo mais que não é.  Quanto aos números em si, eu não quero estar aqui a levantar questões sobre as quais não tenho provas nem quero acreditar em provas apresentadas sem saber se são ou não legítimas; remeto-me portanto a emitir a minha opinião que como qualquer outra poderá estar certa ou errada. Como diriam os ditos mais tradicionais, onde há fumo há fogo e tantas acusações e consequentes processos abertos relativos a corrupção custa-me a acreditar que tudo não passa de uma cabala contra o indivíduo José Sócrates. Falamos do seu diploma, caso face oculta, freeport, entre outros. Que fique bem claro que não me contradigo com o acima referido relativamente a corrupção, coloco apenas esta, diria hipótese, para o seu rápido enriquecimento. Algo que uma confrontação de dados bancários poderia facilmente resolver, visto o senhor em questão alegadamente possuir apenas uma conta bancária, na Caixa Geral de Depósitos há mais de 20 anos. Acho também que se há questões relativamente às suas finanças e legitimidade dos créditos que lhe são atribuídos, com certeza não será uma entrevista em horário nobre o local mais indicado para as debater. E, perante os dados e tema central na contestação a José Sócrates, este soube gerir os seus pontos fracos e atacar a falta de eloquência dos jornalistas. Logo, o principal problema à partida, foi subtilmente resolvido atacando inclusive o estado das finanças actuais.

Terceira: A necessidade visível e que eu vinha já há algum tempo a sugerir, de deslindar a atribuição das culpas para com a chamada da ajuda externa. E aqui meus amigos, José Sócrates disse exactamente o que eu penso: é atirar areia para os olhos dos portugueses esta rejeição da culpa e atribuição a alguém que fez de tudo para que o país evitasse a ajuda externa e a memória, pelo menos a minha, não é curta e facilmente se podem consultar arquivos da assembleia da república à data  do pedido de ajuda externo. Foi de facto a rejeição do PEC4 e não estou a julgar se seria bom ou não, que obrigou o pedido de ajuda e José Sócrates falou de algo muito importante, a dualidade nítida de critérios do nosso Presidente da República que, por entre silêncios, comenta de forma oposta e aqui o enfoque chave é a intensidade desses comentários que destoa visivelmente quando comparada. Atenção também à necessidade de contextualização! Se como referido na entrevista, em 2009 a Europa levou por tabela da queda do Lehnman Brothers em 2008 que desregulou (se é que existe regulação) os mercados financeiros e até especulativos, também é verdade que actualmente vive-se uma crise na moeda única e o contexto não é mais favorável. Poderia continuar por largos parágrafos a criticar a actuação do Governo ao nível da ideologia (não existe um rumo concreto), do exemplo (ou falta dele) e, do mais importante para mim, do incumprimento das recomendações e imposições da Troika (dou apenas o exemplo dos cortes em que o memorando nos diz que deveriam ser efectuados 3/4 na despesa e 1/4 no aumento da receitas e o Governo fez exactamente o oposto, 3/4 na receita e 1/4 na despesa; com o intuito de um encaixe financeiro mais rápido e que nos levou ao problema actual). Este argumento toma centralidade pela constante justificação do "seguimento das ordens da Troika" que o Governo adopta sempre que procede a mais austeridade.

Em suma, a entrevista de hoje foi muito pertinente e longe de mim ser um defensor acérrimo de José Sócrates pois argumentos como a diminuição dos gastos com as PPP's não significam que estas foram necessárias ou bem feitas, não significa que se crie gastos estatais para proveito privado como já se comprovou e no fundo não significa que por ser menos mau, seja bom. Agora os méritos dos seus esforços devem ser atribuídos e só uma tacanhez tamanha da coligação de Direita fez com que a aposta em programas de requalificação escolar, a importante aposta nas energias renováveis para nos tornarmos menos dependentes do petróleo e que traduz uma alta factura a pagar anualmente e a aposta tecnológica no Magalhães que anos após o seu lançamento coloca actualmente a JP Sá Couto numa agradável situação de mercado com exportações para a Colômbia, salvo erro e para as unidades policiais britânicas e porventura para alemãs e austríacas também; ressalvo que só essa tacanhez política faz com que se avaliem os investimentos feitos não pelo seu real valor e necessidade, mas sim apenas pela cor política de quem os executou ou idealizou.

Espero que deixado algumas questões no ar para reflexão e tenho pena que após um interregno de tantos meses, tenha de ser o tema política a entrar também ele neste blog.